Notas sobre a Deriva
       
     
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Notas sobre a Deriva
       
     
Notas sobre a Deriva

 Todo território possui tensões ocultas, nem sempre expostas ao indivíduo. Ao percorrer a cidade, ao andar sem rumo através do inconsciente individual, poder-se-á descobrir o espaço a partir de sensações.

A Psicogeografia se ocupa do estudo do lugar pela ruptura do processo tradicional da viagem. Nesse processo, os ambientes devem ser explorados para além do consumo do turismo de massa, do “lugar-comum” dos cenários.

Para esse tipo de abordagem, o território torna-se propiciador de sentimentos e emoções, sejam elas conscientes ou não. É um método de percepção e compreensão do espaço através da experiência direta, da exploração na errância, na deambulação, no andar sem destino.

Derivar é buscar a psicogeografia.

“As mudanças repentinas dos ambientes de uma rua num espaço de tão poucos metros; a divisão evidente de uma cidade em zonas com atmosferas psíquicas claramente diferenciadas; o trajeto que oferece menor resistência e que é percorrido automaticamente nos passeios em destino certo (e que não guarda nenhuma relação com o contorno físico do chão); a condição atrativa ou repulsiva de certos lugares – ao parecer tudo isso ignorado. Em qualquer caso, nunca se considera que isso dependa de causas que podem ser detectadas através de uma análise pormenorizada, e logo pode-se extrair proveito disso” Debord, Guy. “Introduction à une critique de la géographie urbaine” in: LEVIN, Thomas. Situacionismo, arte política e urbanismo. ACTAR. Barcelona, 1996. Pg 118).

É preciso se entregar à deriva.

Neste ensaio, dinamismo e movimento somam-se à paisagem que se dilui em cores imprecisas, neblina e desfoque. A intenção é romper com o protagonismo do objeto em si - a paisagem - e colocar em perspectiva as íntimas e profundas sensações que emergem de uma experiência específica de deriva num lugar desconhecido.

A paisagem aqui é fascinante, imponente. Ela conduz o deslocamento do espectador para imersões oníricas através de um estado contemplativo absoluto. É um desvio para o silêncio total, reflexo do encontro pessoal com a solidão em um lugar desabitado.

Este trabalho é resultado de aproximações fotográficas feitas ao longo de percursos em estradas. O que se pretende é menos a estrutura da composição formal do que o resultado expressivo que o momento do registro pode expor - é mais o gesto de uma sensação do que a organizacao da imagem em si.

Seu significado está na perspectiva daquele que deriva pelo ambiente, por isso a supressão da precisão geométrica, revelando a captura dinâmica, o espontâneo e o intuitivo.

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Drifting to Silence


 

Every territory possesses underlying tensions, not always exposed to the individual. When traversing a city, when walking without direction through the individual unconscious, we can unveil space from sensations.

Psychogeography deals with the study of a place in rupture with the traditional process of travel. In that process, the environments must be explored beyond the borders of mass consumption tourism, the common place of scenarios.

For this kind of approach, the territory becomes more a conducive place for feelings and emotions, whether they are conscious or not. It is a method of perception and understanding through direct experience, exploration in drifting, walking, without destination.

To go drift is to search for the psychogeography.

“The sudden changes in the street in a space of few meters, the evident division of a city in places where psychiatric atmospheres are clearly differentiated; the trajectory that offers least resistance and is crossed automatically in walks on the right destination (and do not keep any relationship with the physical contours of the ground); the attractive or repulsive condition of certain places - all this seems ignored. In any case, never consider that causes can be detected through specific analysis, at which point it is possible to extract benefits from it.” Debord, Guy, 1996.

One needs to surrender to drifting.

 

In this essay, dynamism and movement fuse with a landscape that dilutes in imprecise colors, fog and deception. It seeks to break away with the object in itself – the landscape – and put in perspective the intimate and deep sensation that emerges from the experience of drifting in an unknown space.

Encapsulated in total silence, they feel the reflection of a personal encounter with solitude.

This work is the result of photographic approaches realized throughout road travel. The purpose is not the formal composition of the structure but the expression of the moment captured – the outcome of a sensation.

 

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